Na passarela, vestidos fluidos e longilíneos surgiram em tecidos leves que contrastavam com a estação fria. As tradicionais rendas delicadas, transparências e babados — assinaturas da marca — apareceram reinterpretadas em camadas mais densas, criando movimento e textura. Mangas amplas, golas altas e saias esvoaçantes evocavam uma elegância quase literária, como personagens saídos de um romance europeu do século XIX.
A cartela de cores reforçou essa narrativa: marfim, rosa antigo, verde musgo e tons profundos de vinho dominaram o desfile, intercalados por estampas florais suavemente desbotadas. A sensação era de nostalgia refinada, um olhar para o passado filtrado por uma sensibilidade contemporânea.
Texturas e contrastes
Outro destaque foi o trabalho de materiais. Tecidos leves como chiffon e seda foram contrapostos a elementos mais estruturados, incluindo casacos alongados e peças de alfaiataria delicadamente construídas. O resultado foi um equilíbrio interessante entre fragilidade e força — uma dualidade cada vez mais presente na moda atual.
Os acessórios seguiram a mesma linha narrativa: botas altas, cinturas marcadas e detalhes artesanais que reforçavam o aspecto quase artesanal da coleção.
Zimmermann em Paris
Desde que passou a integrar o calendário da Paris Fashion Week, Zimmermann tem ampliado sua linguagem estética, transitando entre o espírito boêmio australiano e a sofisticação europeia. Nesta temporada, a marca pareceu confortável nesse território híbrido, oferecendo uma coleção que mantém sua identidade romântica, mas com uma leitura mais invernal e madura.
O resultado foi um desfile delicado, visualmente envolvente e fiel à essência da marca — uma ode ao romantismo contemporâneo que continua sendo um dos pilares do universo Zimmermann.
