Louis Vuitton apresentou nesta terça-feira, no encerramento da Paris Fashion Week, a coleção feminina Outono/Inverno 2026/2027 sob direção criativa de Nicolas Ghesquière. E, como já se tornou tradição em sua década à frente da maison, o designer transformou a passarela em um exercício de narrativa visual — um diálogo entre passado, presente e um futuro imaginado através da moda.
Há algo profundamente característico no trabalho de Ghesquière para a Louis Vuitton: ele nunca parece interessado em seguir o espírito do tempo — prefere dobrá-lo. Nesta coleção, o diretor criativo mais uma vez operou nesse território híbrido onde referências históricas encontram tecnologia, onde o clássico convive com uma estranheza futurista.
A coleção explorou silhuetas estruturadas e arquitetônicas, equilibradas por tecidos fluidos e sobreposições inesperadas. Casacos esculturais, vestidos com recortes geométricos e peças que misturam alfaiataria com elementos utilitários criaram um guarda-roupa que parece projetado para uma mulher em constante movimento — uma ideia que ecoa o DNA de viagem da maison.
A sensação era de mobilidade e transformação, temas recorrentes na história da marca, fundada a partir do universo das malas e do deslocamento. Não por acaso, muitos looks pareciam desenhados para atravessar cidades, épocas e identidades.
O vocabulário visual de Ghesquière
Desde que assumiu a linha feminina da Louis Vuitton em 2013, Nicolas Ghesquière construiu uma linguagem própria dentro da maison: opulência controlada, futurismo discreto e um senso quase cinematográfico de personagem.
Nesta temporada, essa assinatura apareceu em detalhes que misturavam:
alfaiataria rígida com volumes experimentais texturas técnicas combinadas a materiais luxuosos acessórios estruturados que lembram objetos de design
As bolsas — sempre protagonistas em um desfile da Vuitton — surgiram reinterpretando formatos clássicos da casa, reafirmando o diálogo constante entre herança e inovação.
O desfile que encerra PFW
Encerrar a Paris Fashion Week não é apenas uma questão de calendário — é uma posição simbólica. Historicamente, a Louis Vuitton assume esse lugar como o último capítulo da narrativa da temporada, quando todas as tendências apresentadas nas semanas anteriores parecem se reorganizar.
Nesta coleção, Ghesquière não propôs um manifesto óbvio. Em vez disso, apresentou algo mais sofisticado: um guarda-roupa que desafia o tempo, onde a moda não se limita a refletir o presente, mas imagina o que ainda está por vir.
E talvez seja justamente por isso que, temporada após temporada, a Louis Vuitton continua ocupando um dos lugares mais decisivos do calendário da moda.




