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Miu Miu: a arte da feminilidade desconstruída

Na manhã desta terça-feira em Paris, a Miu Miu encerrou mais um capítulo da temporada de desfiles com uma coleção que reafirma o poder singular de Miuccia Prada de transformar pequenos gestos de styling em grandes movimentos culturais.

Para o outono/inverno 2026/2027, a diretora criativa voltou a um território que domina como poucos: a feminilidade imperfeita, aquela que parece acontecer quase por acaso. O desfile trouxe uma sucessão de silhuetas que misturavam alfaiataria suave, vestidos delicados e sobreposições aparentemente improvisadas — como se cada look tivesse sido montado instintivamente.

Saias de lã na altura do joelho apareciam combinadas com malhas finas e cardigans levemente desalinhados. Camisas escapavam por baixo das peças, meias surgiam como parte essencial do styling e casacos estruturados envolviam o corpo sem rigidez. O resultado era um guarda-roupa que parecia pertencer a uma mulher intelectual, um pouco distraída, mas extremamente consciente de sua estética.

Esse equilíbrio entre refinamento e despretensão é uma assinatura que a Miu Miu vem lapidando nos últimos anos. A marca construiu uma identidade baseada em personagens femininas complexas — mulheres que não buscam perfeição, mas personalidade.

Também havia um diálogo claro com os anos 90, referência recorrente no universo de Miuccia Prada. Porém, em vez de nostalgia literal, a coleção parecia capturar o espírito daquela década: um minimalismo emocional, mais vivido do que estilizado.

Na passarela, cada look reforçava a sensação de que a moda da Miu Miu não está interessada em seguir tendências imediatas. O que a marca propõe é algo mais sutil: uma nova forma de elegância, onde o charme está justamente nas pequenas imperfeições.

E talvez seja exatamente por isso que, temporada após temporada, a Miu Miu continua sendo uma das marcas mais influentes da moda contemporânea.

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Louis Vuitton – O tempo como linguagem de estilo

Louis Vuitton apresentou nesta terça-feira, no encerramento da Paris Fashion Week, a coleção feminina Outono/Inverno 2026/2027 sob direção criativa de Nicolas Ghesquière. E, como já se tornou tradição em sua década à frente da maison, o designer transformou a passarela em um exercício de narrativa visual — um diálogo entre passado, presente e um futuro imaginado através da moda.  

Há algo profundamente característico no trabalho de Ghesquière para a Louis Vuitton: ele nunca parece interessado em seguir o espírito do tempo — prefere dobrá-lo. Nesta coleção, o diretor criativo mais uma vez operou nesse território híbrido onde referências históricas encontram tecnologia, onde o clássico convive com uma estranheza futurista.

A coleção explorou silhuetas estruturadas e arquitetônicas, equilibradas por tecidos fluidos e sobreposições inesperadas. Casacos esculturais, vestidos com recortes geométricos e peças que misturam alfaiataria com elementos utilitários criaram um guarda-roupa que parece projetado para uma mulher em constante movimento — uma ideia que ecoa o DNA de viagem da maison.

A sensação era de mobilidade e transformação, temas recorrentes na história da marca, fundada a partir do universo das malas e do deslocamento. Não por acaso, muitos looks pareciam desenhados para atravessar cidades, épocas e identidades.

O vocabulário visual de Ghesquière

Desde que assumiu a linha feminina da Louis Vuitton em 2013, Nicolas Ghesquière construiu uma linguagem própria dentro da maison: opulência controlada, futurismo discreto e um senso quase cinematográfico de personagem. 

Nesta temporada, essa assinatura apareceu em detalhes que misturavam:

alfaiataria rígida com volumes experimentais texturas técnicas combinadas a materiais luxuosos acessórios estruturados que lembram objetos de design

As bolsas — sempre protagonistas em um desfile da Vuitton — surgiram reinterpretando formatos clássicos da casa, reafirmando o diálogo constante entre herança e inovação.

O desfile que encerra PFW

Encerrar a Paris Fashion Week não é apenas uma questão de calendário — é uma posição simbólica. Historicamente, a Louis Vuitton assume esse lugar como o último capítulo da narrativa da temporada, quando todas as tendências apresentadas nas semanas anteriores parecem se reorganizar.

Nesta coleção, Ghesquière não propôs um manifesto óbvio. Em vez disso, apresentou algo mais sofisticado: um guarda-roupa que desafia o tempo, onde a moda não se limita a refletir o presente, mas imagina o que ainda está por vir.

E talvez seja justamente por isso que, temporada após temporada, a Louis Vuitton continua ocupando um dos lugares mais decisivos do calendário da moda.

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Chanel: tradição & delicadeza com uma pegada moderna

O desfile da Chanel apresentado hoje na Paris Fashion Week reafirmou a capacidade da maison de revisitar seus códigos clássicos enquanto dialoga com a sensibilidade contemporânea da moda. Em uma coleção que equilibra tradição, elegância e leveza visual, a marca apresentou um inverno sofisticado, onde o passado da casa fundada por Coco Chanel continua servindo como bússola criativa.

A passarela foi dominada por uma paleta elegante e atemporal — preto, off-white, cinza e nuances suaves de bege — pontuada por detalhes em tons delicados que traziam frescor ao inverno proposto pela maison. O icônico tweed, assinatura histórica da Chanel, apareceu em novas proporções: conjuntos de saia e blazer com cortes mais fluidos, casacos alongados e vestidos estruturados que mantinham a elegância clássica, mas com uma leitura mais contemporânea.

A coleção também explorou camadas e texturas. Sobreposições sutis criavam movimento e profundidade nos looks, enquanto tecidos leves, como chiffon e organza, surgiam contrastando com materiais mais estruturados. O resultado foi uma silhueta feminina, delicada e ao mesmo tempo precisa — característica que a casa francesa domina com naturalidade.

Os detalhes, como sempre, tiveram protagonismo. Laços, aplicações delicadas e botões ornamentais reforçaram o romantismo característico da marca. Já os acessórios trouxeram a identidade Chanel de forma imediata: bolsas estruturadas com correntes metálicas, botas elegantes de cano médio e joias que dialogavam com o imaginário clássico da maison.

Mais do que seguir tendências, o desfile mostrou a força de uma linguagem estética consolidada ao longo de décadas. A Chanel parece lembrar, temporada após temporada, que sua relevância não está em reinventar completamente sua história, mas em reinterpretá-la com sutileza.

Em meio à intensidade criativa da Paris Fashion Week, a apresentação da maison funcionou quase como uma pausa elegante — um momento em que a moda revisita sua própria memória para continuar avançando.

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Zimmermann – um romance em Paris

Na passarela, vestidos fluidos e longilíneos surgiram em tecidos leves que contrastavam com a estação fria. As tradicionais rendas delicadas, transparências e babados — assinaturas da marca — apareceram reinterpretadas em camadas mais densas, criando movimento e textura. Mangas amplas, golas altas e saias esvoaçantes evocavam uma elegância quase literária, como personagens saídos de um romance europeu do século XIX.

A cartela de cores reforçou essa narrativa: marfim, rosa antigo, verde musgo e tons profundos de vinho dominaram o desfile, intercalados por estampas florais suavemente desbotadas. A sensação era de nostalgia refinada, um olhar para o passado filtrado por uma sensibilidade contemporânea.

Texturas e contrastes

Outro destaque foi o trabalho de materiais. Tecidos leves como chiffon e seda foram contrapostos a elementos mais estruturados, incluindo casacos alongados e peças de alfaiataria delicadamente construídas. O resultado foi um equilíbrio interessante entre fragilidade e força — uma dualidade cada vez mais presente na moda atual.

Os acessórios seguiram a mesma linha narrativa: botas altas, cinturas marcadas e detalhes artesanais que reforçavam o aspecto quase artesanal da coleção.

Zimmermann em Paris

Desde que passou a integrar o calendário da Paris Fashion Week, Zimmermann tem ampliado sua linguagem estética, transitando entre o espírito boêmio australiano e a sofisticação europeia. Nesta temporada, a marca pareceu confortável nesse território híbrido, oferecendo uma coleção que mantém sua identidade romântica, mas com uma leitura mais invernal e madura.

O resultado foi um desfile delicado, visualmente envolvente e fiel à essência da marca — uma ode ao romantismo contemporâneo que continua sendo um dos pilares do universo Zimmermann.

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Alexander McQueen — Outono/Inverno 2026/2027 na Paris Fashion Week

Na passarela da Paris Fashion Week, a Alexander McQueen apresentou sua coleção Outono/Inverno 2026/2027 reforçando o DNA dramático que sempre definiu a casa britânica. A coleção explorou a tensão entre romantismo sombrio e precisão da alfaiataria, dois pilares históricos da marca fundada por Lee Alexander McQueen.

Logo nos primeiros looks, a narrativa visual ficou clara: silhuetas marcadas, ombros estruturados e cinturas definidas criavam uma presença quase escultórica. Casacos alongados e blazers de construção impecável surgiram como protagonistas, reafirmando o domínio da marca sobre a alfaiataria dramática que equilibra força e elegância.

Vestidos trouxeram uma dimensão mais etérea à coleção, com tecidos fluidos contrastando com estruturas rígidas. Transparências estratégicas e camadas delicadas adicionaram movimento às peças, enquanto detalhes como drapeados e recortes precisos reforçaram a complexidade técnica característica da maison.

A paleta cromática permaneceu fiel ao imaginário gótico sofisticado frequentemente associado à McQueen. Tons profundos de preto, vinho, carvão e nuances escuras dominaram a passarela, criando uma atmosfera intensa que dialogava com o espírito teatral da marca.

Texturas desempenharam papel fundamental: lãs estruturadas, couro, tecidos densos e superfícies delicadas criaram contrastes que amplificavam a dramaticidade das silhuetas. O resultado foi uma coleção que alternava entre rigidez arquitetônica e movimento quase fantasmagórico.

Mais uma vez, a Alexander McQueen demonstrou como sua estética permanece singular dentro do calendário da Paris Fashion Week. A coleção Outono/Inverno 2026/2027 reafirma a habilidade da casa em transformar moda em narrativa — onde cada peça parece carregar um misto de poesia sombria, força e teatralidade.

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Jean Paul Gaultier Fall Winter – Paris Fashion Week

A nova temporada de Outono/Inverno 2026/2027 reafirmou a força do legado provocador da Jean Paul Gaultier na passarela da Paris Fashion Week. Conhecida por transformar códigos clássicos da moda em declarações de atitude, a maison voltou a explorar aquilo que sempre definiu sua identidade: a subversão elegante.

A coleção revisitou elementos emblemáticos da casa — como a alfaiataria estruturada, a corseteria icônica e as referências náuticas — reinterpretados sob uma lente contemporânea. Silhuetas ajustadas ao corpo contrastavam com volumes dramáticos, criando um jogo visual entre disciplina e liberdade. O corset, assinatura histórica de Gaultier, apareceu tanto literal quanto sugerido na construção das peças, moldando vestidos, blazers e tops com precisão arquitetônica.

A paleta manteve-se fiel ao espírito gráfico da marca, alternando preto profundo, branco ótico e variações de azul, enquanto listras — outro código recorrente da casa — surgiram em diferentes escalas e direções. O resultado foi uma narrativa visual que transitava entre o rigor da alfaiataria parisiense e a sensualidade teatral que sempre marcou a estética de Gaultier.

Texturas também tiveram papel central. Couro polido, malhas ajustadas e tecidos estruturados dialogavam com materiais mais fluidos, criando contraste entre rigidez e movimento. Em muitas produções, a modelagem parecia abraçar o corpo como uma armadura elegante — ao mesmo tempo protetora e sedutora.

Mais do que uma coleção, o desfile reforçou como a Jean Paul Gaultier permanece uma referência quando o assunto é misturar provocação, técnica e identidade visual forte. Mesmo décadas após redefinir a moda francesa com seu olhar irreverente, a casa continua demonstrando que seus códigos ainda têm espaço para evoluir.

No cenário da Paris Fashion Week, a apresentação funcionou como um lembrete: algumas linguagens da moda nunca desaparecem — apenas encontram novas formas de se expressar.

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Lacoste – Esporte, elegância e conforto – Paris Fashion Week

A Lacoste apresentou sua coleção Outono/Inverno 2026/2027 durante a Paris Fashion Week reafirmando o diálogo entre esporte, elegância e funcionalidade — pilares históricos da maison fundada por René Lacoste.

A coleção explora a herança do tênis e do sportswear francês, reinterpretados com uma linguagem contemporânea e urbana. O tradicional DNA da marca aparece atualizado em silhuetas amplas, alfaiataria relaxada e camadas utilitárias, criando um guarda-roupa que transita entre o clube esportivo e a cidade.

Casacos estruturados surgem ao lado de tricôs robustos, polos reinventadas e peças acolchoadas, enquanto calças de corte reto e saias midi trazem equilíbrio entre conforto e sofisticação. O crocodilo — símbolo da marca — aparece de forma sutil em bordados, aplicações e detalhes gráficos.

A paleta de cores mantém a elegância minimalista: verde profundo, off-white, preto, tons de areia e variações de azul, evocando tanto as quadras quanto o inverno urbano. Materiais técnicos e texturas aconchegantes reforçam a proposta de um sportswear elevado, pensado para o cotidiano contemporâneo.

Mais do que revisitar arquivos, a coleção demonstra como a Lacoste continua refinando sua identidade: um equilíbrio preciso entre performance, tradição e estilo parisiense.

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Nina Ricci Outono/Inverno 2026/2027 — Paris Fashion Week

Na sexta-feira, durante a Paris Fashion Week, a Nina Ricci apresentou sua coleção outono/inverno 2026/2027 sob a direção criativa de Harris Reed, que continua a conduzir a maison em uma direção teatral, romântica e assumidamente dramática.

Desde que assumiu a marca, Reed tem explorado a herança de feminilidade da casa fundada por Nina Ricci, mas sempre filtrada por uma lente contemporânea e performática. Nesta temporada, essa tensão entre tradição e espetáculo apareceu de forma ainda mais clara: a coleção misturou códigos históricos da marca com uma estética quase operística.

O desfile foi marcado por silhuetas esculturais e volumes amplificados, com ombros dramáticos, saias estruturadas e vestidos que pareciam construídos como peças de cenografia. Muitas das peças exploravam uma ideia de glamour exagerado — quase barroco — onde cada look parecia projetado para dominar o espaço da passarela.

A alfaiataria também apareceu reinterpretada: casacos longos, capas e vestidos estruturados surgiram com cortes precisos, mas sempre acompanhados por gestos teatrais, como laços oversized, golas amplas ou drapeados arquitetônicos. O resultado foi uma coleção que se move entre a elegância clássica da maison e a fantasia dramática característica do trabalho de Reed. 

A paleta reforçou essa atmosfera de intensidade: preto profundo, dourado, vermelho escuro e tons de vinho criaram um clima quase noturno, enquanto tecidos brilhantes e superfícies dramáticas amplificavam o impacto visual das peças.

Mais do que simplesmente reinterpretar os códigos da Nina Ricci, Harris Reed parece interessado em transformá-los em espetáculo. E, nesse processo, a marca continua a evoluir para um território onde romantismo, teatralidade e moda-performance coexistem na mesma narrativa.

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Comme des Garçons Outono/Inverno 2026/2027 — Paris Fashion Week

Quando Rei Kawakubo apresenta um desfile da Comme des Garçons, não se trata exatamente de uma coleção — mas de uma ideia em movimento. Na Paris Fashion Week, a designer japonesa voltou a transformar a passarela em um exercício conceitual sobre forma, emoção e contraste.

O desfile começou de maneira quase austera: uma sequência de 16 looks completamente pretos, silenciosos e densos. Cada peça parecia explorar a complexidade estrutural que define o trabalho de Kawakubo — volumes inesperados, superfícies texturizadas e construções que desafiam a lógica tradicional do vestuário. 

Mas, como frequentemente acontece nas narrativas da Comme des Garçons, a coleção não permaneceu nesse território sombrio por muito tempo.

Após a sequência inicial, o desfile sofreu uma ruptura visual. As silhuetas retornaram — desta vez reinterpretadas em tons de rosa intensos e quase doces, criando um contraste radical com o rigor do preto que abriu a apresentação. 

Tecidos como renda, chiffon, cetim e paetês surgiram em composições inesperadamente românticas, revelando um lado quase delicado da estética da marca — algo que raramente aparece de maneira tão explícita no universo de Kawakubo. 

Esse jogo entre austeridade e suavidade acabou se tornando o verdadeiro tema do desfile. Se o preto inicial evocava a tradição “anti-fashion” que definiu a marca desde os anos 1980, o rosa final parecia sugerir uma provocação: até mesmo a rebeldia pode conter beleza, leveza e humor.

No fim, como acontece em muitos desfiles da Comme des Garçons, a coleção não oferece respostas claras. Em vez disso, deixa perguntas no ar — sobre o que é beleza, sobre como a roupa pode distorcer ou amplificar o corpo e sobre o poder da moda como linguagem artística.

E talvez seja exatamente por isso que Rei Kawakubo continua sendo uma das figuras mais radicais da moda contemporânea: enquanto muitas coleções buscam tendências, ela ainda parece interessada em algo mais raro — ideias.

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Balenciaga Fall Winter 2026/2027 – Paris Fashion Week

Na passarela da Balenciaga, apresentada ontem na Paris Fashion Week, a coleção outono/inverno 2026/2027 revelou um momento de transição criativa. Sob direção de Pierpaolo Piccioli, a maison continua a buscar uma nova identidade — equilibrando o legado radical recente da marca com uma abordagem mais refinada e arquitetônica da moda. 

Editorialmente, o desfile pareceu um exercício de reconstrução. Piccioli, conhecido por sua sensibilidade poética, começa a moldar a Balenciaga à sua própria linguagem — ainda que os ecos do passado da marca permaneçam presentes. Em vez da ironia provocadora que dominou a era anterior, a coleção propôs um diálogo entre estrutura e emoção.

Os casacos oversized, em lã pesada ou couro, surgiram como protagonistas absolutos. Silhuetas alongadas e imponentes evocavam a arquitetura que sempre definiu a casa fundada por Cristóbal Balenciaga, enquanto jaquetas estruturadas e alfaiataria precisa reafirmavam essa tradição de construção quase escultórica. 

Ao mesmo tempo, uma segunda narrativa atravessava a coleção: peças mais casuais — como moletons, elementos gráficos e volumes relaxados — introduziam uma presença geracional na passarela, aproximando a marca do cotidiano contemporâneo. 

Esse contraste parece ser o verdadeiro tema do desfile. De um lado, a herança monumental da Balenciaga; de outro, a tentativa de capturar o espírito das ruas e das novas gerações. O resultado ainda é deliberadamente híbrido — às vezes austero, às vezes inesperadamente cotidiano — mas revela os contornos de uma nova fase para a maison.

Mais do que um manifesto definitivo, o desfile funcionou como um capítulo em construção. E talvez seja exatamente isso que o torna interessante: observar uma das casas mais influentes da moda contemporânea redefinir lentamente sua própria linguagem.

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